Plus500

24.8.09

Topos e Fundos

Ao ler oportuna postagem do amigo Fact Finder, apressei-me em fazer um comentário sobre o assunto, sem dar conta dos asteríscos, ao final do texto, que faziam referência à mensagem correlata anterior - Bottom Fishers vs. Top Callers

-----------------------------------------------------------

Ficar procurando topos, e lançando vendas antes de uma virada, é bem pior do que procurar fundos - embora nos dois casos a tarefa seja inglória. Comprando nas baixas, se o dinheiro estiver disponível e os objetivos não forem imediatos, dá para sustentar a posição por um tempo. No caso das vendas, se o limite de perda não for respeitado, o prejuízo é ilimitado.

O mais racional é seguir a tendência até que ela se esgote e uma inversão venha a ser confirmada.

A grande diferença é que, na iminência (ou suspeita) de um topo, pode-se realizar posições compradas - e mesmo que continue subindo, a apropriação de lucros não quebra ninguém. Deixar de aproveitar um pedaço da alta é menos doloroso do que devolver ganhos ao mercado... mas nada se compara a perder dinheiro de verdade. E na renda variável, quem não está sujeito a isso?

Abs ^v^


22.8.09

A fábrica de dinheiro e o déficit fiscal

No meio da semana foi publidado um artigo de Warren Buffett no The New York Times tratando desse mesmo assunto.


Neste texto, com o título "The Greenback Effect", o megainvestidor norte-americano afirmou com todas as letras que o deficit fiscal dos Estados Unidos (na ordem de US$ 180,6 bilhões, no mês de julho) ameaça a economia do país.

Buffett não deixou de elogiar as ações tomadas pelo Federal Reserve, que evitaram um colapso do sistema financeiro com o derretimento da economia do país, que se encontra agora em gradual recuperação.

Entretanto, ele enfatiza que a "fábrica de dinheiro" gerou um alto nível de dívidas que pode alimentar a inflação no futuro. Para o presidente da companhia de investimentos Berkshire Hathaway, enormes doses de remédio monetário continuam a ser administradas e, logo mais, "teremos que lidar com os seus efeitos colaterais." Segundo ele, mesmo com a economia reanimada e o nível de atividade industrial restabelecido, não será possível gerar receitas suficientes para compensar o tamanho do déficit. Os políticos provavelmente não vão querer aumentar impostos ou frear os gastos e podem optar por silenciosamente deixar a inflação subir, um movimento que "confiscará" riquezas fragilizando ainda mais a economia americana.

Na sua opinião, uma vez que a recuperação esteja garantida, o Congresso deve encerrar o aumento da relação entre dívida e PIB e manter suas metas de crescimento alinhadas com o crescimento de suas fontes de recursos.

Mais no Monitor Investimentos

20.8.09

Construção Civil

Este é um setor que já se recuperou bastante dos efeitos da crise... e ainda parece haver espaço para evoluir, ajudado por tanto incentivo do governo. Das construtoras e empresas ligadas ao ramo imobiliário, o espanhol Enrique Bañuelos abocanhou uma bela fatia nos períodos de baixa: depois de adquirir a Agra (AGIN3) e Abyara (ABYA3), o grupo Veremonte, comprou também a Klabin Segall (KSSA3). Tudo a um preço de liquidação. E embora afirme que suas "investidas" terminaram, não dá para duvidar do apetite para novas aquisições...

Além de Brascan (BISA3) e Gafisa (GFSA3) um dos papéis que continuo acompanhando é a AGIN. E nesta progressão, pode ser que logo o seu GAP - deixado na época em que a compra pela Cyrela (CYRE3) não se concretizou - esteja a caminho de ser fechado.


Além das citadas, existem mais ações do segmento negociadas na bolsa que ainda apresentam um bom potencial de valorização: RSID, HBOR, EZTC, CRDE, MRVE, TEND, entre outras merecedoras de um estudo mais aprofundado.

Obviamente, tudo depende muito do comportamento do mercado como um todo. Mas, assim mesmo, setorialmente, é um bom campo para pesquisa quanto a potenciais investimentos

Abs ^v^

18.8.09

Resultados dos bancos "oficiais"

Engana-se quem acredita que o aumento na concessão de crédito feita por pressão do governo venha trazer resultados expressivos nos próximos balanços. O que deve acontecer é um aumento na inadimplênica, e redução do lucro, como já demonstra esse último balanço da Caixa Econômica.

No caso do Banco do Brasil, trata-se de uma empresa mista, que tem ações negociadas em mercado. Quando o objetivo é, acima de tudo, político, optar por ser minoritário faz com que o risco aumente em função da pouca transparência com que as decisões são tomadas. Por uma questão numérica - e de vaidade do pessoal no Planalto - o BB voltou a ser o maior banco, superando o Itau/Unibanco em ativos. Mas isso é importante, ou o que vale é a capacidade de gerar ganhos?

A disputa pela manutenção do poder vai ser dura (e suja) daqui para frente, e muita novidade ainda vai surgir até as próximas eleições. Eu não colocaria meu dinheiro em nada que tivesse o dedo dessa turma!

17.8.09

Quem tem bola de cristal?

Tem um artigo do WSJ que publiquei também no Monitor, falando justamente sobre isso: a dificuldade em fazer previsões.

Neste cenário de crise (há quem diga que já terminou) fica mesmo complicado arriscar palpites... minha opinião não mudou. Já passamos de onde acreditava que o mercado poderia chegar no rally.

Mas eu também posso estar errado... e como o resultado financeiro de nossos investimentos depende muito mais daquilo que fazemos do que "achamos", ainda mantenho minha pequena posição (relativamente concentrada em poucos papeis com alguma condição especial), e não perco a oportunidade de realizar os lucros quando estes são substanciais.

A leitura que faço do momento para curto/medio prazo é a seguinte: a alta das bolsas está pelo fim de linha - já entrou na "reserva" do carretel. Pode subir mais um pouco? Talvez, mas seria o golpe de misericórdia nos late buyers - também conhecidos como compradores de topo.

Imagino que teremos então uma procura fugaz pelo dolar (aqui também), na busca de segurança (?) para os ganhos obtidos neste repique. As bolsas devem ceder... e na hora que o selloff começar, o movimento não vai ser moderado, com o disparo frequente e sucessivo de ordens stop. Se o novo fundo vai ser desenhado em 40k, 30 ou ainda abaixo (no caso da Bovespa), quem sabe? Não duvidaria de um FD para a "sopa de letrinhas" transformar depois o suposto V em W, dentro daquele grande L, de longo prazo.

Penso que até o final do ano/meados 2010, dependendo de como a China trabalhar os títulos americanos que detém, podemos ter uma alta nos juros decorrente do aumento de inflação (hiper?) nos EUA e Europa, em função da quantidade de dinheiro emitido e enxurrada de moedas colocadas no mercado. O preço a ser pago vai ser alto, e os responsáveis não ficarão impunes.

A partir de então dolar perderá muito valor... embora seja difíicil se transformar em pó. Os metais, como ouro e prata (principalmente), podem se tornar as mais atrativas de todas as aplicações. A busca por novas referências para transações internacionais deve promover outras divisas como base dos negócios, e o R$ tem chance de voltar a se apreciar quando a segunda perna ascendente do W se pronunciar, e a nova ordem mundial de forças estiver sendo estabelecida.

Enfim... o tempo é o senhor da verdade, os fatos vão nos mostrar como será o futuro. O Brasil vai conseguir seu destaque, mas antes ainda temos um bom percurso pela frente, com todos os países de mãos dadas em uma economia globalizada, onde qualquer hipótese de descolamento é muito frágil para ser sustentada iminentemente.

Abs ^v^

PS: lembrando que estamos apenas falando de cenários, hipóteses e "palpites". Afinal, ninguém tem mesmo uma bola de cristal para prever o futuro.

14.8.09

Realização e ganhos

Um dado pior sobre a confiança dos consumidores nos Estados Unidos serviu como argumento para uma realização de lucros em Wall Street, que contaminou o mercado acionário brasileiro. Ainda assim, a queda local foi contida pelas operações mirando o vencimento de opções sobre ações que acontece na segunda-feira.

A queda surpresa na confiança do consumidor norte-americano em agosto e maior deflação ao consumidor em 12 meses desde 1950, um dia após o também inesperado recuo nas vendas do varejo e o aumento dos pedidos de seguro-desemprego nos EUA, ofuscaram a alta maior do que o esperado na produção industrial e deram o pretexto que investidores precisavam para embolsar lucros.

Informações: Reuters

12.8.09

À espera do FED

Às 1515 hs vai sair a definição sobre a taxa de juros americana...

Enquanto isso, os índices pairam no alto de seus trading ranges.

Vamos ver qual será o veredito do FOMC, e como o mercado reage.

Sou adepto da prática de que lucro de fato só existe no bolso, e, tratando-se de renda variável, ele é mais substancial quando compramos nas baixas e vendemos nas altas. Sempre procurando diminuir os custos na medida do possível. Se subir mais, o ganho apropriado está garantido, caso contrário começa a devolução... e ninguém nunca "quebrou" por deixar de ganhar. A bolsa é cíclica, o diferencial está em acertar as faixas de entrada e saída, seja investimento ou especulação, para longo, médio ou curto prazo, dependendo do plano e objetivos de rentabilidade.

Acredito que quanto mais generalistas formos, mais embasadas serão nossas decisões. Comprar empresas com bons fundamentos, em um momento gráfico propício, é a melhor combinação para um investimento de sucesso. Mas se deixar passar a hora de realizar... não adianta tentar defender depois. Quem sabe operar nas duas pontas ainda tem melhores condições de aproveitar qualquer tendência. E também duplica suas chances de acertar - ou errar! ;-)

Este tema merece espaço para um debate mais aprofundado.

O tempo é "senhor" da verdade.

Abs ^v^

11.8.09

Dois gráficos, um grande colaborador

O Coronel A2FON, também conhecido como André, publicou estas valiosas contribuições no Fórum Monitor Financeiro:

Trading range de longo prazo no futuro perpétuo do Ibovespa


Dos OCOs (possíveis e furados), se for este o que vai vingar...

Goodbye, Dow N Jones!

10.8.09

Sequência de Fibonacci



A natureza é mesmo perfeita e tem os seus mistérios...

É até possível utilizarmos a razão áurea em alguns estudos de RV.

Mas a bolsa de valores é um mercado desestruturado, e
totalmente sujeito a mudanças repentinas.

O que rege os preços das ações é a lei da oferta e demanda.

Como quem procura acha, cada um pode achar o que quiser, e tomar suas decisões de investimento baseado em crenças ou estudos. O que vale é o resultado final na conta corrente.

7.8.09

Inversão de Polaridade

Ontem, quando o Ibovespa fazia as mínimas do dia, eu comentei no Fórum Monitor Financeiro, que a hora do teste nos 55 mil pontos como suporte estava próxima. Caso o índice viesse a segurar neste nível - configurando um pullback - uma nova oportunidade de entrada seria oferecida.

De fato, mesmo sem ter atingido esta marca - a mínima de ontem ficou em 55.361 - houve uma reação, e o movimento foi impusionado hoje pelo anúncio dos dados de emprego nos Estados Unidos, referentes ao mês passado. Foram cortadas 247 mil vagas de trabalho nos EUA em julho, apenas mil a menos do que os cortes previstos. E foi o menor número de vagas eliminadas nos últimos 12 meses. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou 0,1 ponto porcentual e foi para 9,4% em julho. Analistas esperavam aumento para 9,7%. Essa foi a primeira queda da taxa desde abril de 2008. A esta altura, um resultado igual ou ligeiramente abaixo das expectativas já é considerado vitória. A ideia de que empate é lucro...

Assim o Dow Jones opera acima dos 9.300 pontos e o S&P supera 1k. Agora o Ibovespa segue a melhora das bolsas de NY, e voltou a ficar próximo da máxima registrada neste movimento, aos 56.780.

Enquanto isso os contratos futuros seguem encaixotados no intradiário, bem perto do alto no trading range.

Continuamos no acompanhamento, e mantendo o estado de alerta!

Abs ^v^

6.8.09

Ficou legal?

Tá bunito?

... vamos aproveitando, de olho na tábua das marés, na correnteza, nos ventos, no swell, na contagem das onda que quebram na praia... só não podemos descuidar da conta. Esta não pode quebrar...

Onde houver STOP que este seja respeitado, onde for NON-STOP, boa viagem! O dia promete boa volatilidade...

Amanhã sai o payroll americano, e o número de demissões no setor privado deve vir acima das expectativas, assim como a criação dos novos postos de emprego podem não corroborar com este clima de euforia com a recuperação da economia. Sem trabalho não existe consumo... e ainda não há nada consumado.

Olho vivo, e dedos ágeis para apertar os botões! ;-)

Abs ^v^

4.8.09

Rompendo barreiras

Quando tudo parece claro e definido é bom redobrar os cuidados. Arrebentaram o caixote, os 55k foram vencidos (?), a euforia aumenta, as notícias são amplamente favoráveis... vamos continuar deixando a maré nos levar, sem perder a praia de vista. Enquanto tiver areia, o barco ainda pode encostar. Depois que a água chegar no auge, só se salva quem souber nadar!

Falando por mim, quando o mercado começa a transmitir um sentimento de conforto, os investidores ficam mais confiantes em suas posições, o rompimento de uma resistência forte sugere nova oportunidade para entrar na compra... talvez, tudo isso seja mais um indício para defender o lucro.

Eu fico procurando motivos para não cair em tentação. E da mesma forma que o OCO não vingou devido a um pullback frustrado por baixo, o mais sensato é esperar para ver como será o comportamento do mercado na hora de inverter a polaridade.


Se o mesmo patamar, por enquanto superado, for bem sucedido no teste como suporte pode ser que o índice siga adiante, almejando o topo do canal em 63k, ou até a projeção da fibo em 67.000. Caso contrário, teremos mais um violino daquele tipo "armadilha fatal".

Ajustando os stops, reduzindo a margem de manobras para não devolver os ganhos desta pernada ... e de olho nas bolsas de NY!

Abs ^v^

3.8.09

Abertura puxada

Petro e Vale abriram em GAP e deixaram os 55k do Ibovespa para trás. Em Wall Street o DJ tenta superar 9.300.

A semana do mercado iniciou animada...

Os EUA continuam otimistas, agora com o estímulo relâmpago oferecido pelo governo para que os consumidores troquem seus carros antigos por outros mais eficientes em termos de combustível.

Vamos ver se isto será o bastante para dar um "gás" na indústria local de automóveis, e de que forma as bolsas vão se comportar.

O fator mais importante no cenário global ainda parece ser o encaminhamento da China: como escrevi em comentário no TiB:

"... panorama na China, com o aperto e restrições ao crédito, parece decisivo para toda a economia global. Afinal, trata-se da grande propulsora da recuperação mundial, e uma freada brusca na concessão de empréstimos vai impactar as empresas locais que compram e as fornecedoras de commodities em geral".

Abs ^v^


PS vale ler a entrevista de Luiz Gonzaga Belluzzo e Roberto Giannetti da Fonseca, publicada no Portal EXAME, sobre o risco do Brasil não desenvolver uma indústria competitiva para vender seus produtos acabados, e, com a falta de estímulo aos exportadores, transformar-se apenas em um fornecedor de matérias-primas para as potências mais desenvolvidas.

AQUI


30.7.09

Novo teste de resistência

Mercado está mesmo animado com o pronunciamento do Obama antevendo o fim da crise. DJIA firme acima dos 9k, e o S&P querendo cravar os 1000 pontos. Contudo, ainda tem a China... o BC deles reafirmou o compromisso com o alívio monetário.

Mas o lucro da Vale já mostrou uma queda na ordem de 80%... e o preço do óleo, a incógnita do pre-sal, os desdobramentos políticos da estatal? O Ibovespa está ameaçando romper os 55k. Será que consegue?

Apesar do nosso superavit em baixa (apenas 2% do PIB), a relação divida/PIB voltando a aumentar - embora a queda dos juros ainda venha a ser mais influente neste cenário futuro - e os gastos públicos cada vez maiores.

A turma do governo tem mesmo que torcer para voltarmos a ter crescimento, senão vai ficar difícil equalizar as contas.

Abs ^v^

28.7.09

Emails e esclarecimentos

Como sempre, recebo um sem-número de emails fazendo perguntas, sugestões e críticas. Na medida do possível procuro responder a todos com a mesma presteza. Durante este período em que estive ausente, a conexão local com a internet era bastante precária, e não pude acessar minhas caixas com frequência, o que gerou um acúmulo de mensagens.

Aos poucos vou retornando o contato de cada uma delas, apenas peço um pouco de paciência e compreensão aos amigos.

Ontem consegui adiantar alguma coisa, e, dentre os emails que tive a oportunidade de abrir, havia um muito interessante (de apenas uma linha- ainda falando sobre o OCO "furado"), que faço questão de compartilhar - tanto a mensagem quanto a resposta.

Dizia assim:

Título - Processo de Autoenganação

Aposto que depois do OOCOO virá o OOOCOOO!! ACORDA!!!!

-------------------------------------------------------------------

Ora, dias se passaram, o mercado continuou funcionando, o gráfico mudou - seja lá qual for a periodicidade considerada, novas figuras se formaram, desmancharam, e ainda não viraram esta página?

Bem... vou editar aqui alguns trechos da longa resposta:

Caro Amigo
(vou preservar seu nome)

Desculpe pela demora, vou compensar isso dedicando um tempo para te responder.

Estava viajando de férias e, apesar de levar o notebook para fazer vídeo-conferências com uma filha no exterior, a conexão local era bastante instável, e eu mal acompanhei o mercado, raramente acessando o blog. Ele é totalmente livre à participação de todos, até mesmo de anônimos - embora seja muito difícil interagir com quem não se apresenta.

Nós já nos conhecemos? Não tenho a menor ideia de como vc atua na bolsa, nem qual é a sua experiência. Mas estou sempre aberto a novos contatos. Apesar dos mais de 25 anos em mercado, continuo sempre procurando aprender mais.

Digo "mercado", pois meu ingresso em 1983 foi por uma mesa de Open, depois lancei os futuros no Brasil - com taxa de juros, commodities e índices, trabalhei também em bolsa de valores, sempre participando do planejamento e montagem das estratégias para carteira das instituições, ou atendendo grandes clientes. Ainda tenho outras atividades profissionais e empresariais atualmente, mas poderia viver exclusivamente de renda, caso fosse essa a minha vontade.

A hipótese de "autoenganação" seria até plausível no presente. Hoje estou em uma situação muito confortável, e cuido apenas da administração do patrimônio que construí. A renda variável é somente mais uma fonte de diversificação para meus investimentos, onde a parcela do free float aplicada em ações objetiva uma rentabilidade acima dos benchmarks que adoto (nas altas, o Ibovespa; nas quedas o CDI). Só opero para mim mesmo.

Então, não quero vender análises, produzir relatórios, muito menos fazer gestão para terceiros. Dispenso - e não preciso assumir - esse tipo de compromisso. Sou simplesmente um investidor qualificado, que opera seu capital próprio, e se dispõe a compartilhar leituras do mercado com os amigos, colaboradores e demais visitantes do blog.

O meu maior benefício com isso é poder tirar férias quando quiser, não tenho empregados ou patrão, não devo satisfação - nem obrigatoriedade de mostrar resultados - a clientes, e assim posso viajar pelo mundo para gastar meu dinheiro nas melhores coisas que existem. Minhas maiores riquezas não são materiais: conhecimento, saúde, família, amigos. O resto é possível comprar para nos proporcionar prazeres e manter a qualidade de vida!

Caso acompanhasse o blog há mais tempo (foi inaugurado em 2006) teria percebido que esta nova grande fase de fartura começou muito antes, vem desde 2003. Ela fez muitos "filhos da alta". E vários ainda continuam órfãos - mesmo com esta recente melhora - muitos mal recuperaram suas perdas

Em maio do ano passado, por volta dos 70k, eu praticamente zerei todas as minhas posições, mesmo quando diziam que eu estava parecendo um profeta do apocalipse. A impressão é que eu deveria "acordar" de minha cautela (ou será que alguns continuavam sonhando com uma repercussão favorável ao Investment Grade?).

De fato, o índice ainda subiu até quase 74.000 pontos, mas, com o início do desmonte eu vendi muito contrato futuro na BM&F, e só comecei a recompor os ativos da carteira abaixo de 40 mil pontos. Fui feliz, pois enquanto os investidores estavam apavorados, eu ia comprando ações no pânico (chamei a estratégia de Seagull Decade). A ideia era guardar os papéis por 10 anos - caso isso fosse necessário - mas o retorno veio antes, e muito rápido. Lembra de Vale, Petro e Bradesco na faixa de 20? Pois é... e muitos ainda aguardam elas empatarem com seus custos em 60, 50 ou 40... um dia voltam lá.

Enfim, o meu target era 53k... ele já foi atingido, violinou, corrigiu, e estamos de volta aos 54. Para mim está bom, o bear rally (?) já proporcionou bons ganhos, e uma coisa que aprendi em RV é que o lucro só existe quando vai para o bolso. Mas ainda não comecei a abrir vendas... o OCO foi quase... eu esperei pelo pullback na neckline. Como o padrão não se confirmou, paciência. É preciso ter flexibilidade para não ficar apegado a certezas que não existem. Tudo muda muito rápido, dependendo do timeframe. Continuo no curto prazo até uma maior definição.

Nunca tento acertar as mínimas ou máximas (fundos e topos), prefiro deixar que os extremos me encontrem, e perder um pedaço do movimento... se esta nova resistência aos 55k for rompida, e o Ibovespa continuar subindo, nada impede que eu entre de novo na compra. Mas o índice ainda está congestionado - no alto - e, se não superar logo estes níveis, pode até formar um topo duplo.

Ainda guardo alguma coisa em carteira, mas não costumo recomendar nada (além de estudo) para não influenciar no posicionamento dos iniciantes.

Para estes pequenos investidores, acostumados a operar por dicas, existem outros fóruns... que servem para alimentar a esperança e deseducar financeiramente. Além de manter o emprego de alguns "gestores e analistas" sem ética, que dependem do movimento da clientela. Com as pessoas ganhando ou perdendo, suas comissões estarão garantidas.

Minha postura é sempre a mesma: transparência e isenção. Digo o que eu acho, estando certo ou errado. Quem manda é o mercado. E o que conta é o resultado na conta corrente. Com gerenciamento de capital, controle de risco e disciplina para seguir os planos, a chance de ser bem sucedido - e ter vida longa no mercado - é muito maior.

Fique a vontade para fazer comentários, e emitir críticas - que podem ser muito construtivas. Elas sempre acrescentam algo de positivo.

Boa sorte e sucesso

Abs ^v^