Plus500

11.4.09

Easter Reflections

Muito bom o texto do Cristiano Costa - Quem Tem Olho Chora, mesmo de longe e com toda sua formação acadêmica ele consegue perceber os meandros da nossa po(pu)lítica econômica. É de dar dó que o Brasil com toda a projeção que obteve tenha perdido a chance de realmente deslanchar.


Alguns ufanistas poderão dizer que a situação agora é muito melhor. Não contesto ! Mas também tenho certeza de que nos aproveitamos pouco do período de fartura e exuberância pelo qual passou a economia mundial.

Um referência de Obama (em tom impreciso) ao "político mais popular da Terra" não significa dizer que estamos sendo liderados pelo mais competente. Longe disso! Na verdade o presidente americano sabe que todos os holofotes estão voltados para ele. Não custa tentar tirar um pouco o foco de si. Pena que o "suposto" elogio tenha envaidecido ainda mais o destinatário do afago, a ponto de achar que agora nos tornaremos credores do FMI. Alguns bilhõezinhos que não sabemos ao certo de onde sairá. Pouco para a grandeza da crise, mas talvez mais do que possamos dispor das nossas reservas.

Enfim... o mercado tende mesmo a se recuperar antes da economia. E já está mostrando sinais disso. Nada suficiente para toda esta euforia (precedente perigoso para os investidores sensatos). O humor das bolsas pode mudar mais rápido do que o tempo necessário para uma dama trocar de vestido... mas apenas o fato de eu achar improvável uma nova sequência de circuit breaks, como tivemos no ano passado, já é um alento.

Continuamos buscando medidas para justificar a "marolinha". Ondas de ilusão causadas por decisões questionáveis e efeitos duvidosos. Só quem presenciou um tsunami ao vivo sabe como são as suas consequências catastróficas. E, mesmo depois do recolhimento da água, o que resta sobre o chão é um monte de destroços. Que o nosso "barraco" se mantenha de pé.

Cortar impostos pontualmente, atendendo apenas determinados setores - e ainda sujeitando os mesmos a condições mandatórias - pode não ser o melhor caminho. Mas cogitar uma redução nos gastos públicos é um sacrilégio para quem precisa da aprovação do Congresso. E ele continua legislando em causa própria. Se o dinheiro ainda fosse canalizado para ações que pudessem se reverter em benefícios para as gerações futuras...

Mas 2010 está logo ali. O que importa é não deixar a coisa se deteriorar muito. Preservar o emprego na marra... baixar os juros "por contrato"... plásticas e maquiagens... fortalecer o ensino só traria um maior pensamento crítico aos futuros eleitores. O negócio é enganar. Mesmo que sejam muitos (por pouco tempo), poucos por muito tempo... mas nunca todos para sempre.

E ninguém consegue enganar a si mesmo por um só segundo.

Voltando ao mercado, fico pensando na situação de alguns amigos que me confidenciam ainda estarem com amargas perdas contábeis na carteira - é... quem assume (em off) que ficou comprado em Vale aos 60, Petro aos 50, Bradesco aos 40, não são tão poucos assim - e com toda esta recuperação (de 30 para 45k) da Bovespa não conseguiu sequer chegar perto dos seus preços de custo. Agora é que - se ainda possuem algumas reservas - começam a pensar em fazer preço-médio... mas logo em um momento como este, onde já recuperamos 50% sobre as mínimas e ainda falta subir outros tanto (ou mais) para voltar aos patamares anteriores do TH? Cuidado com a "marolinha C", que, esta sim, pode se tornar o verdadeiro arrastão!

Mas tem gente em condição pior. Não possui nem uma carteira, mesmo que depreciada, como também não teve disponibilidade de recursos para investir na hora certa. Aos 30 mil pontos acharam que a coisa ia piorar de vez e, pobres, resolveram especular na venda ou em alguma outra atividade extra infrutífera. Perderam recursos, a liquidez e boa parte (ou totalidade) de seus patrimônios.

Meu temor é que, justamente nesta hora (não dá para descartar nenhuma possibilidade) resolvam se financiar para aplicar o dinheiro em renda variável. Facilidades é que não faltam... o governo quer baixar os juros de qualquer maneira, estimular o crédito inconsequente e temerário (ao invés de orientar o povo à poupança), e até as corretoras aumentam a oferta pela conta-margem.

O mercado nos proporciona muitas lições. E as maiores vêm com nosso próprios erros. Que eles sirvam também para a nossa vida, pois os investimentos são apenas uma pequena parcela (embora relevante) do todo. A saúde, a harmonia, a felicidade, entre outras coisas imprescindíveis para o bem-estar, não podem ser precificadas.

Na Páscoa, assim como em todos os recessos dos muitos feriados que temos aqui no Brasil, é sempre mais uma oportunidade à reflexão! Dinheiro no bolso e PAZ de espírito no coração!

Abs ^v^

2 comentários:

T disse...

Congratulations Seagull. Estou voltando do final de semana com minha familia e concordo inteiramente com você.

Seagull disse...

É isso aí T,

Quanto ao mercado, segue o ciclo dos investiemntos:

Da bolsa para a carteira, desta o lucro vai para o bolso, e, enfim, incorpora-se o capital ao patrimônio.

Que ele continue crescendo aos pouquinhos e sempre mais! ;-)

Abs ^v^