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27.6.07

Arbitragem: Operando Pares

Criar uma carteira baseada em pares que ofereçam segurança e rentabilidade pode ser uma boa estratégia para os investidores que ainda têm receio de abandonar os investimentos conservadores e ousar totalmente. Um bom princípio seria a união entre um ativo de renda fixa e outro de RV. Além da paridade convencional, é possível arbitrar duas ações negociadas em bolsa e mesmo assim ter uma baixa exposição aos riscos e boas chances de ganhos.

Uma arbitragem no mercado de renda variável pode ser feita de várias maneiras. Em síntese, seria uma estratégia na qual identificamos dois ativos com fluxo de caixa idênticos, porém com preços que, por alguma razão, não refletem a similaridade de fundamentos. O investidor, então, compra um ativo e vende o outro, acreditando que os preços irão convergir.

A arbitragem com risco - mais comum na prática - é aquela que identifica ativos com fluxo de caixa semelhante (e não necessariamente idênticos) e preços que não refletem os seus fundamentos. Operações de arbitragem também são conhecidas como "long/short" (compradas/vendidas).

O texto "The Limits of Arbitrage", escrito por Andrei Shleifer e Robert Vishny, professores de Harvard e Chicago respectivamente, é um dos principais sobre o tema. A visão convencional acadêmica é de que as oportunidades de arbitragem são escassas e rapidamente exploradas por um grande número de pequenos investidores.

O conceito central do artigo é de que operações de arbitragem podem ser relativamente complexas. Além disso, existe um nível razoável de volatilidade nos papéis arbitrados - que pode levar uma posição teoricamente vencedora no LP a sofrer bastante no curto prazo. Como o investidor pessoa física não tem o mesmo grau de informação de um gestor, sua avaliação acaba se baseando fundamentalmente em performances passadas.

Outro texto interessante sobre o assunto, intitulado "Pairs Trading: Performance of a Relative Value Arbitrage Rule", foi escrito por integrantes da Yale School of Management: Evan Gatev, William Goetzmann e K. Rouwenhorst. No artigo, os autores testaram uma estratégia de investimento denominada "pairs trading" para ações do mercado americano. A estratégia consiste em identificar ativos com alta correlação histórica e aproveitar oportunidades em que seus preços se distanciem para comprar o mais barato e vender o mais caro.

As “operações de pares” na Bovespa podem ser feitas com ações de uma mesma empresa (ON x PN), holding x controlada, ativos de um mesmo setor e até mesmo travando o PIBB com mini-contratos de índice futuro na BM&F . Podem ser montadas pela quantidade de lotes ou valor financeiro. Mas quanto mais desatrelados forem os “pares”, maior será o risco da operação, podendo até se transformar em uma especulação dupla.

Com o aumento na quantidade de novas empresas, dos mais diversos setores, abrindo seu capital, maiores oportunidades surgirão. Existe hoje um sem-número de empresas na área de construção civil, várias prestadoras de serviço em telecomunicações, diversas siderúrgicas, etc. Contudo, no atual estágio de alta dos mercados, fica cada vez mais complicado assumirmos posicionamentos meramente direcionais. Está “caro” para comprar e “barato” demais para vender? Por que não travar nas duas pontas? Desta forma, ao invés de estarmos apenas operando na expectativa de valorização das cotações, estaremos tirando proveito das variações no spread (diferença de preço) entre os ativos selecionados.

Vale lembrar que, não possuindo as duas ações em questão na carteira, pode-se alugar o ativo a ser vendido, devendo levar em conta os custos deste empréstimo (que, dependendo da disponibilidade e oferta nas corretoras, costuma oscilar em torno de 4 a 5% aa). Esta despesa tem que ser contabilizada e encarece a operação, sem inviabilizá-la, entretanto.

Esta alternativa de investimento é explorada há bastante tempo nos mercados, e existe pouca literatura disponível em nosso idioma, sendo este texto elaborado com base em outras fontes de referência como artigos publicados no Jornal do Commercio, Valor Econômico, e os supracitados "Pairs Trading: Performance of a Relative Value Arbitrage Rule" e "The Limits of Arbitrage".

5 comentários:

Mineiro disse...

bacana o texto sea..

tem algum exemplo ??

[]'

Seagull disse...

Claro Mineiro, são vários exemplos:

ELET3 x ELET6

PETR3 x PETR4

CSNA3 x USIM5

É só ir acompanhando o spread entre elas.

Uma outra arbitragem de maior risco seria entre VALE e PETR que não têm nenhuma correlação direta.

Abs ^v^

SirTrader. disse...

òtimo artigo.

Parabéns pelo blog.

Abração,

SirTrader.

Seagull disse...

Valeu Sir!

Eu que agradeço pela sua visita e enorme gentileza.

A casa é nossa! ;-)

Abs ^v^

Guilherme disse...

Muito bom o texto.
parabens!!